
Intimidade (Íntimo + Idade)
O que é, quando existe, como se desenvolve? Compra-se? Vende-se? Quais são as suas consequências? Intimidade ou Intimidades?
Uma coisa é certa é algo complexo e sujeito às mais diversas (in)definições. Assim como definições, Intimidade: Corporal, Familiar, Conjugal, Laboral…(esta última poderá levar, nos dias de hoje em Portugal ao alcance de altos cargos políticos muito dignos!)
Contudo é possível definir a Intimidade através das suas implicações e manifestações na nossa vida. Para isto, basta identificar a forma como nos vinculamos ao outro, a razão de ser da Intimidade, para nós, ou se é uma (in)utilidade? …
Não me parece que possamos inutilizá-la, pois estaríamos a tornar a nossa própria Identidade igualmente inútil, já admito que seja de difícil definição.
Isto porque se é fácil para nós identificar os benefícios\necessidades que, por ex:. o Bebé tem na relação íntima com a sua mãe, verifica-se facilmente a importância da Intimidade para a sua própria sobrevivência, noutros valores e necessidades que vão surgindo no decurso da existência Humana, e apesar de não ser obvio, estes reclamam de igual forma a Intimidade, a bem ou a mal…
Desta forma a Intimidade evolui naturalmente, com mutações de forma, estrutura e dinâmicas que se fazem acompanhar das mudanças no ciclo vital do Homem, experiências passadas de vida, sua personalidade\identidade, bem como investimentos relacionais.
A Intimidade é dinâmica, logo a sua natureza não se pode, (ou não se deveria poder!) limitar apenas a uma definição de mera “ferramenta”, ou responsável de causalidade directa, entre as nossas necessidades e a sua satisfação.
A Intimidade é necessariamente, consequência, resultado ou produto relacional de uma relação bilateral do eu com o outro. Logo a Intimidade que advém da relação de eu-outro pode caracterizar-se pelo resultado de uma mutualidade do prazer, sinceridade, ajuda mútua e preocupação com o outro ou, de forma simplificada, uma capacidade de investimento relacional com força ética e compromisso.
Assim sendo, também é face da mesma moeda a incapacidade deste investimento relacional, e consequente ameaça da Intimidade tal como vem sendo apresentada.
Por ex:. quando se pretende limitar a Intimidade apenas na sua vertente corporal e (des)mentalizada é uma fuga da sua natureza complexa para uma simplificação que poderá levar a uma Intimidade de natureza simples e pobre, diria mesmo, dissociada da verdadeira (desejável) Intimidade Humana.
Pode igualmente esta Intimidade, servir para instrumentalizar ou manipular o outro, bem como o próprio eu, no sentido de satisfazer necessidades bizarras de um eu, (ou outro) que se sujeita ao uso (quando não é abuso!) da sua intimidade. Tal facto verifica-se quando a Intimidade serve como moeda de troca, tornando a sua própria identidade (inevitavelmente) numa falsa realidade de partilha verdadeira, como é o caso das pessoas que vendem a sua Intimidade Corporal pensando estarem apenas a vender o seu corpo e não a sua alma.
Não podemos dissociar corpo-mente sem recorrer a uma fragmentação da nossa identidade\personalidade.
Mas não será necessário recorrer a estes casos de Intimidade, usada e abusada.
Para isso basta-nos observar a relação que todos nós temos de uma ou outra forma, com o sentimento de si mesmo, para nesta relação única, identificarmos a Intimidade que temos com o nosso eu.

