
…Quantas vezes nos sentimos humilhados por outros?
Em que circunstancias e como sentimos essa humilhação?
Da Humilhação ...
Quando me refiro à humilhação refiro-me a tornar humilde, deprimir, vexar, rebaixar por um lado, e, submeter-se à humildade, apresentar-se submisso, render-se e confessar-se vencido por outro. São estes os ingredientes fundamentais para uma dinâmica relacional da humilhação que frequentemente acontece na nossa aldeia global do séc. XXI em que todos vivemos, e que de uma forma ou de outra vivenciamos.
Será a humilhação sentida o reflexo da humilhação do humilhador(a)?
Porque humilhamos? Qual a influencia da ignorância, do medo e da insegurança na humilhação?
Face ao (des)conhecido (é por isso mesmo que se ignora), o ignorante reage, tal como os mamíferos de outras espécies, defensivamente perante o que lhe parece incerto, inseguro ou ameaçador.
Assim sendo, o sujeito apresenta o(s) seu(s) mecanismo de defesa, ou, a forma como gere tal desconforto e insatisfação, que por variar de indivíduo para indivíduo (agressividade, provocar o medo no outro…), também nos permite descrever o seu padrão normativo/frequente de reacção face à ignorância de algo ou de alguém.
Permite desta forma, ao observador atento, identificar a postura do sujeito face à circunstancia nova, desconhecida e (in)esperada.
Neste sentido a humilhação de que tantas vezes somos alvo não é necessariamente agressividade por si só ou fruto de um desejo de humilhar no intuito de ferir o outro através desta arma poderosa, mas sim, uma forma de comunicar ao outro a insegurança, o medo e a fragilidade do nosso Eu perante algum tipo de objecto/coisa que por algum motivo nos rouba um pouco do nosso sol. É como se na ausência do seu calor ficássemos frios e sombrios, sem perceber porque se escondeu.
Tal compreensão implica a capacidade de aceitar que a culpa da minha sombra também é minha e não apenas do outro, que tantas vezes se responsabiliza por tudo (e/ou nada) que de mal nos vai acontecendo.
É o mesmo que dizer, que somos exímios a projectar o nosso próprio filme ou reflexo no outro, ou, não é mais do que procurar a compreensão do Eu através do outro.
Como se relaciona a humilhação com a culpabilidade de cada um?
Neste jogo da identidade e identificação projectiva ou introjectiva, a pedra que se atira ao charco também nos pode molhar…
Há consequências que resultam da humilhação sendo que na melhor das formas, e das hipóteses, elas se expressam pela culpabilidade reparadora do Eu que permite um retorno do projectado através do que se permitiu internalizar.
Contudo nem sempre o sujeito se permite ou pode ambicionar níveis de organização e aprendizagem/adequação relacional ditos reparadores e normativos.
Restando-lhe assim, outras formas menos culpabilizantes dos seus produtos relacionais como por exemplo a atribuição da culpa a elementos externos que já permitem conter tudo e mais alguma coisa sem fazer mossa internamente. Isto é tanto mais evidente quanto mais esses elementos externos se permitem tolerar esses resíduos tóxicos do outro por um lado, e, devolvem ao mesmo, um produto relacional reciclado e mais adaptativo por outro lado.
Enfim todos vamos, mais dia menos dia, ter de nos confrontar com a nossa própria angustia e com tudo a que ela obriga.

