
Desejo logo existo…?! Será que sim será que não…
A dúvida… a dúvida de algo desperta em cada um, uma forma típica de a suportar de a gerir e de a resolver (na melhor das hipóteses de a elaborar). Mas afinal o que é a duvida?
Será que a duvida se relaciona com a nossa aparente intolerância à angústia que desperta com a incerteza em algo ou alguém?
Duma coisa todos estamos certos, é que não deve existir ninguém que não a tenha sentido ou vivido, talvez se deva à nossa insegurança primitiva a constante procura pela segurança que não temos.
“Se eu tivesse 100% de certeza disto ou daquilo…” ou,
“Quem não pode o que quer, deve querer o que pode!”
Expressões que, queiramos ou não, fazem-se ouvir e a todo o custo.
E também fará sentido dar voz ao facto de que, se queremos algo que não temos (tal como se disse acima) entramos na dimensão do desejo. Isto é, desperta em nós um desejo irresistível de ceder à sua procura, confirmação ou infirmação.
Desta forma, um desejo ganha destinatário sempre que a sua ausência (do destinatário x ou y) se afigura como estável, se faz notar ou mesmo se ameaça tornar permanente.
Daí que um desejo só exista realmente enquanto não é concretizado (ou materializado de alguma maneira).
Por exemplo, o desejo de saciar a minha sede, só existe significativamente quando estou carente de água ou com sede, mas assim que bebo e, compenso a minha carência, o desejo transfigura-se porque se materializa perdendo desta forma a sua força, o seu sentido ou, a razão para a sua significativa existência até eu ter novamente sede voltando a recorrer à intensificação do desejo. É como se de um alerta se trata-se que irá sinalizar o despertar da minha renovada necessidade de saciar uma carência de água neste caso.
Logo também existe tempo para o desejo humano, refiro-me à sua (tri)dimensionalidade há um antes, um durante e um depois do desejo, onde certamente a duvida terá um papel preponderante ou seja o desejo parece andar de mão dada com a duvida da sua satisfação/insatisfação bem como dos investimentos/custos energéticos necessários para tal, físicos, psicológicos, sociais…
Assim sendo na dúvida como no desejo humano, há uma natureza complexa que se intensifica pelo facto de não sermos conscientes de todos os processos e mecanismos que regulam o nosso processo vital individual, como é o caso das nossas memórias ou dos nossos esquecimentos, ou por outras palavras, impedimento inconsciente de recordar, por exemplo das etapas iniciais do nosso crescimento entre outros.
No entanto, o desejo nem sempre é visto tão natural como a nossa sede, a fome ou o sono.
Somos educados/”formatados” para saciar uns e reprimir ou negar a satisfação de outros o que também faz parte do crescimento humano, desde que devidamente ajustado à realidade externa e interna.
Mas raramente damos o tempo e a oportunidade necessária para pensar o(s) nosso(s) desejo(s) e compreender a sua razão de ser, talvez por isso estes andem sempre de mãos dadas com o(s) medo(s), receio(s) e outros fantasmas.
Se racionalmente é consensual e muitas das vezes pacifica, a distinção ou, a forma diferenciada de valorizar estes ou aqueles desejos individuais e/ou colectivos (p.e. por motivos culturais entre outros), já não o é (tão pacífico, ou mesmo nada… e como tal com custos para as pessoas) no que diz respeito à dimensão irracional e simbólica da nossa vida mental. Ou seja, todo o humano tem dentro de si desejos insatisfeitos, contraditórios, ambíguos, que são muitas das vezes difíceis de controlar e por isso mesmo são contidos, negados ou reprimidos. Assim como podem também ser elaborados ou sublimados, deslocados, simulados, “humurizados” em vez de serem p.ex. reprimidos.
Desta forma os desejos implicam sempre reacções dos sujeitos aos mesmos, logo são mais do que simples produtos da imposição de limites ou barreiras quer externas quer internas, e não são igualmente passivos. Eles são significativamente activos, e por isso são testemunhas e guardiães dinâmicos da permanente conflitualidade humana, que poderia chamar de autentica humanidade ou, humanidade em bruto.
O seu estatuto muda completamente de figura, porque poderá tornar-se numa necessidade satisfeita ou frustrada, superada ou deslocada, controlada ou incontrolada com maior ou menor consequência para a saúde mental do humano. Refiro-me à multiplicidade de sintomatologia (ansiosa/fóbica/depressiva…) que emerge como alternativa à satisfação pulsional dos desejos inconscientes do humano que, não foram satisfeitos ou elaborados com obvias consequências para a qualidade de vida do próprio e dos outros.
Vimos do desejo e somos um ser de natureza desejante.
Será que a duvida se relaciona com a nossa aparente intolerância à angústia que desperta com a incerteza em algo ou alguém?
Duma coisa todos estamos certos, é que não deve existir ninguém que não a tenha sentido ou vivido, talvez se deva à nossa insegurança primitiva a constante procura pela segurança que não temos.
“Se eu tivesse 100% de certeza disto ou daquilo…” ou,
“Quem não pode o que quer, deve querer o que pode!”
Expressões que, queiramos ou não, fazem-se ouvir e a todo o custo.
E também fará sentido dar voz ao facto de que, se queremos algo que não temos (tal como se disse acima) entramos na dimensão do desejo. Isto é, desperta em nós um desejo irresistível de ceder à sua procura, confirmação ou infirmação.
Desta forma, um desejo ganha destinatário sempre que a sua ausência (do destinatário x ou y) se afigura como estável, se faz notar ou mesmo se ameaça tornar permanente.
Daí que um desejo só exista realmente enquanto não é concretizado (ou materializado de alguma maneira).
Por exemplo, o desejo de saciar a minha sede, só existe significativamente quando estou carente de água ou com sede, mas assim que bebo e, compenso a minha carência, o desejo transfigura-se porque se materializa perdendo desta forma a sua força, o seu sentido ou, a razão para a sua significativa existência até eu ter novamente sede voltando a recorrer à intensificação do desejo. É como se de um alerta se trata-se que irá sinalizar o despertar da minha renovada necessidade de saciar uma carência de água neste caso.
Logo também existe tempo para o desejo humano, refiro-me à sua (tri)dimensionalidade há um antes, um durante e um depois do desejo, onde certamente a duvida terá um papel preponderante ou seja o desejo parece andar de mão dada com a duvida da sua satisfação/insatisfação bem como dos investimentos/custos energéticos necessários para tal, físicos, psicológicos, sociais…
Assim sendo na dúvida como no desejo humano, há uma natureza complexa que se intensifica pelo facto de não sermos conscientes de todos os processos e mecanismos que regulam o nosso processo vital individual, como é o caso das nossas memórias ou dos nossos esquecimentos, ou por outras palavras, impedimento inconsciente de recordar, por exemplo das etapas iniciais do nosso crescimento entre outros.
No entanto, o desejo nem sempre é visto tão natural como a nossa sede, a fome ou o sono.
Somos educados/”formatados” para saciar uns e reprimir ou negar a satisfação de outros o que também faz parte do crescimento humano, desde que devidamente ajustado à realidade externa e interna.
Mas raramente damos o tempo e a oportunidade necessária para pensar o(s) nosso(s) desejo(s) e compreender a sua razão de ser, talvez por isso estes andem sempre de mãos dadas com o(s) medo(s), receio(s) e outros fantasmas.
Se racionalmente é consensual e muitas das vezes pacifica, a distinção ou, a forma diferenciada de valorizar estes ou aqueles desejos individuais e/ou colectivos (p.e. por motivos culturais entre outros), já não o é (tão pacífico, ou mesmo nada… e como tal com custos para as pessoas) no que diz respeito à dimensão irracional e simbólica da nossa vida mental. Ou seja, todo o humano tem dentro de si desejos insatisfeitos, contraditórios, ambíguos, que são muitas das vezes difíceis de controlar e por isso mesmo são contidos, negados ou reprimidos. Assim como podem também ser elaborados ou sublimados, deslocados, simulados, “humurizados” em vez de serem p.ex. reprimidos.
Desta forma os desejos implicam sempre reacções dos sujeitos aos mesmos, logo são mais do que simples produtos da imposição de limites ou barreiras quer externas quer internas, e não são igualmente passivos. Eles são significativamente activos, e por isso são testemunhas e guardiães dinâmicos da permanente conflitualidade humana, que poderia chamar de autentica humanidade ou, humanidade em bruto.
O seu estatuto muda completamente de figura, porque poderá tornar-se numa necessidade satisfeita ou frustrada, superada ou deslocada, controlada ou incontrolada com maior ou menor consequência para a saúde mental do humano. Refiro-me à multiplicidade de sintomatologia (ansiosa/fóbica/depressiva…) que emerge como alternativa à satisfação pulsional dos desejos inconscientes do humano que, não foram satisfeitos ou elaborados com obvias consequências para a qualidade de vida do próprio e dos outros.
Vimos do desejo e somos um ser de natureza desejante.
Desejamos ter desejo(s) por um lado e de ser desejado(s) por outro.





