2008-07-31

Desejo ...


Desejo logo existo…?! Será que sim será que não…



A dúvida… a dúvida de algo desperta em cada um, uma forma típica de a suportar de a gerir e de a resolver (na melhor das hipóteses de a elaborar). Mas afinal o que é a duvida?
Será que a duvida se relaciona com a nossa aparente intolerância à angústia que desperta com a incerteza em algo ou alguém?
Duma coisa todos estamos certos, é que não deve existir ninguém que não a tenha sentido ou vivido, talvez se deva à nossa insegurança primitiva a constante procura pela segurança que não temos.

“Se eu tivesse 100% de certeza disto ou daquilo…” ou,
“Quem não pode o que quer, deve querer o que pode!”

Expressões que, queiramos ou não, fazem-se ouvir e a todo o custo.
E também fará sentido dar voz ao facto de que, se queremos algo que não temos (tal como se disse acima) entramos na dimensão do desejo. Isto é, desperta em nós um desejo irresistível de ceder à sua procura, confirmação ou infirmação.
Desta forma, um desejo ganha destinatário sempre que a sua ausência (do destinatário x ou y) se afigura como estável, se faz notar ou mesmo se ameaça tornar permanente.
Daí que um desejo só exista realmente enquanto não é concretizado (ou materializado de alguma maneira).

Por exemplo, o desejo de saciar a minha sede, só existe significativamente quando estou carente de água ou com sede, mas assim que bebo e, compenso a minha carência, o desejo transfigura-se porque se materializa perdendo desta forma a sua força, o seu sentido ou, a razão para a sua significativa existência até eu ter novamente sede voltando a recorrer à intensificação do desejo. É como se de um alerta se trata-se que irá sinalizar o despertar da minha renovada necessidade de saciar uma carência de água neste caso.
Logo também existe tempo para o desejo humano, refiro-me à sua (tri)dimensionalidade há um antes, um durante e um depois do desejo, onde certamente a duvida terá um papel preponderante ou seja o desejo parece andar de mão dada com a duvida da sua satisfação/insatisfação bem como dos investimentos/custos energéticos necessários para tal, físicos, psicológicos, sociais…

Assim sendo na dúvida como no desejo humano, há uma natureza complexa que se intensifica pelo facto de não sermos conscientes de todos os processos e mecanismos que regulam o nosso processo vital individual, como é o caso das nossas memórias ou dos nossos esquecimentos, ou por outras palavras, impedimento inconsciente de recordar, por exemplo das etapas iniciais do nosso crescimento entre outros.

No entanto, o desejo nem sempre é visto tão natural como a nossa sede, a fome ou o sono.

Somos educados/”formatados” para saciar uns e reprimir ou negar a satisfação de outros o que também faz parte do crescimento humano, desde que devidamente ajustado à realidade externa e interna.
Mas raramente damos o tempo e a oportunidade necessária para pensar o(s) nosso(s) desejo(s) e compreender a sua razão de ser, talvez por isso estes andem sempre de mãos dadas com o(s) medo(s), receio(s) e outros fantasmas.

Se racionalmente é consensual e muitas das vezes pacifica, a distinção ou, a forma diferenciada de valorizar estes ou aqueles desejos individuais e/ou colectivos (p.e. por motivos culturais entre outros), já não o é (tão pacífico, ou mesmo nada… e como tal com custos para as pessoas) no que diz respeito à dimensão irracional e simbólica da nossa vida mental. Ou seja, todo o humano tem dentro de si desejos insatisfeitos, contraditórios, ambíguos, que são muitas das vezes difíceis de controlar e por isso mesmo são contidos, negados ou reprimidos. Assim como podem também ser elaborados ou sublimados, deslocados, simulados, “humurizados” em vez de serem p.ex. reprimidos.
Desta forma os desejos implicam sempre reacções dos sujeitos aos mesmos, logo são mais do que simples produtos da imposição de limites ou barreiras quer externas quer internas, e não são igualmente passivos. Eles são significativamente activos, e por isso são testemunhas e guardiães dinâmicos da permanente conflitualidade humana, que poderia chamar de autentica humanidade ou, humanidade em bruto.

O seu estatuto muda completamente de figura, porque poderá tornar-se numa necessidade satisfeita ou frustrada, superada ou deslocada, controlada ou incontrolada com maior ou menor consequência para a saúde mental do humano. Refiro-me à multiplicidade de sintomatologia (ansiosa/fóbica/depressiva…) que emerge como alternativa à satisfação pulsional dos desejos inconscientes do humano que, não foram satisfeitos ou elaborados com obvias consequências para a qualidade de vida do próprio e dos outros.

Vimos do desejo e somos um ser de natureza desejante.

Desejamos ter desejo(s) por um lado e de ser desejado(s) por outro.

2008-06-02

O retorno da falsa soberba...


…Quantas vezes nos sentimos humilhados por outros?
Em que circunstancias e como sentimos essa humilhação?

Da Humilhação ...
Quando me refiro à humilhação refiro-me a tornar humilde, deprimir, vexar, rebaixar por um lado, e, submeter-se à humildade, apresentar-se submisso, render-se e confessar-se vencido por outro. São estes os ingredientes fundamentais para uma dinâmica relacional da humilhação que frequentemente acontece na nossa aldeia global do séc. XXI em que todos vivemos, e que de uma forma ou de outra vivenciamos.

Será a humilhação sentida o reflexo da humilhação do humilhador(a)?
Porque humilhamos? Qual a influencia da ignorância, do medo e da insegurança na humilhação?

Face ao (des)conhecido (é por isso mesmo que se ignora), o ignorante reage, tal como os mamíferos de outras espécies, defensivamente perante o que lhe parece incerto, inseguro ou ameaçador.
Assim sendo, o sujeito apresenta o(s) seu(s) mecanismo de defesa, ou, a forma como gere tal desconforto e insatisfação, que por variar de indivíduo para indivíduo (agressividade, provocar o medo no outro…), também nos permite descrever o seu padrão normativo/frequente de reacção face à ignorância de algo ou de alguém.
Permite desta forma, ao observador atento, identificar a postura do sujeito face à circunstancia nova, desconhecida e (in)esperada.

Neste sentido a humilhação de que tantas vezes somos alvo não é necessariamente agressividade por si só ou fruto de um desejo de humilhar no intuito de ferir o outro através desta arma poderosa, mas sim, uma forma de comunicar ao outro a insegurança, o medo e a fragilidade do nosso Eu perante algum tipo de objecto/coisa que por algum motivo nos rouba um pouco do nosso sol. É como se na ausência do seu calor ficássemos frios e sombrios, sem perceber porque se escondeu.
Tal compreensão implica a capacidade de aceitar que a culpa da minha sombra também é minha e não apenas do outro, que tantas vezes se responsabiliza por tudo (e/ou nada) que de mal nos vai acontecendo.

É o mesmo que dizer, que somos exímios a projectar o nosso próprio filme ou reflexo no outro, ou, não é mais do que procurar a compreensão do Eu através do outro.

Como se relaciona a humilhação com a culpabilidade de cada um?

Neste jogo da identidade e identificação projectiva ou introjectiva, a pedra que se atira ao charco também nos pode molhar…
Há consequências que resultam da humilhação sendo que na melhor das formas, e das hipóteses, elas se expressam pela culpabilidade reparadora do Eu que permite um retorno do projectado através do que se permitiu internalizar.

Contudo nem sempre o sujeito se permite ou pode ambicionar níveis de organização e aprendizagem/adequação relacional ditos reparadores e normativos.
Restando-lhe assim, outras formas menos culpabilizantes dos seus produtos relacionais como por exemplo a atribuição da culpa a elementos externos que já permitem conter tudo e mais alguma coisa sem fazer mossa internamente. Isto é tanto mais evidente quanto mais esses elementos externos se permitem tolerar esses resíduos tóxicos do outro por um lado, e, devolvem ao mesmo, um produto relacional reciclado e mais adaptativo por outro lado.

Enfim todos vamos, mais dia menos dia, ter de nos confrontar com a nossa própria angustia e com tudo a que ela obriga.

2008-04-30

Insurgencia …



Insurgere Relacional

É curioso o tempo em que partilho algo sobre insurgencia relacional, insurgentes, poder e contra-poder e afins… Esta curiosidade de pensar sobre a rebeldia, a oposição e sua dinâmica relacional no Humano, deve-se a um conjunto insurgencias actuais, que aqui e ali vamos conhecendo todos os dias, e a coincidência desta com a recordação colectiva de insurgências sociais passadas de grande relevo.

A insurgencia que me ocupa ou (pre)ocupa, não é tanto a politica ou a escolar entre outras, apesar do momento em que escrevo, mas sim dos seus actores, simbólicos ou não, mais concretamente o que causa a insurgencia ou a explosão emocional no individuo Humano? Quais serão as suas consequências? …

Realmente há uma multiplicidade de factores que se co-relacionam com tal dinâmica relacional, não fossemos todos nós fruto de uma complexa e contínua conflitualidade interna e externa.

Assim sendo, não será uma idealização errante, a da negação da revolta e da luta contínua nas relações humanas? Seremos intolerantes à serena passividade e ausência de conflitualidade?

Sim de alguma forma, até porque o nosso caminho tem sempre (porque de alguma forma procura-mos sempre, diga-se em boa verdade, “pormo-nos a jeito” de), de ter avanços e recuos, altos e baixos, momentos de tensão e relaxamento, e nem sempre se faz em progressão também se faz em regressão, logo temos inevitavelmente de enfrentar, e de confrontar com todo o tipo de alterações neste grande “labirinto” com muitas saídas e obstáculos. E é neste confronto com a mudança, com a diferença, com o passado, com o futuro (será que nos podemos confrontar com o presente?) e com o(s) outro(s), é neste confronto(s), que a inevitabilidade do insurgente, da revolta, da besta, da rebeldia e da oposição ao belo mais se manifesta por mais que o neguemos.

Tal dualidade (bestial ou besta, tudo ou nada, branco ou preto…) muito clivada e muito frequente, esconde uma causalidade (primitiva por sinal…), do problema que residirá na nossa natureza relacional, na nossa temporalidade, na nossa fantasia, ou simplesmente nos medos e desejos.
Talvez resida, pelo menos em parte, na perdida (mas prometida) felicidade, dos contos de fadas, de príncipes encantados, de belas adormecidas, por um lado, e dos contos de bichos papões, maus da fita e afins por outro.
Talvez queiramos repetir vezes sem conta, o “felizes para sempre” dos mais pequenos e, se isto custa por vezes a entender ao adulto, é bom que não custe lembrar que dentro de cada adulto há sempre uma criança e por isso mesmo, não estamos muito longe dessa dinâmica relacional, realidade idealizada e realidade frustrada (tantas vezes), por tantos de nós.

Mas afinal, em que é que uma bela adormecida tem que ver com a insurgencia, ou como se relaciona ela com a revolta e com a luta pelo poder?

Parece inevitável tocar nos monstros, bruxas e fantasmas que não são mais que o outro lado de uma mesma moeda, estes originam-se pela diferença entre a relação inconsciente do que é bom (desejado ou que sacia) e do que é mau (rejeitado ou que frustra) em todos nós.
Como se na criação do feio (projectado ou não) e do belo (idealizado ou não) o Humano, se permitisse inconscientemente, expurgar dos seus demónios utilizando o outro como alvo a abater, mesmo sendo este outro a sua própria sombra ou o reflexo da “besta” que há dentro de nós. Isto tudo, enquanto preserva de forma edílica no seu mais intimo tudo que o realiza, que o inocenta de culpa e pecado, ao mesmo tempo que sacia todos os seus desejos (“Sado-Masoquista” ou outros…).

Agora se pensarmos que o nosso inconsciente acaba por se deslocar e se expressar de forma mascarada no nosso consciente e que por exemplo, onde existe medo já existiu desejo, será de fácil entendimento que na dinâmica relacional de oposição, de insurgencia e de revolta estas se materializam conscientemente, quer pelo medo e logo também pelo desejo, do objecto promotor/alvo de insurgencia.

No entanto uma projecção no outro acarreta sempre a possibilidade de internalização no eu, surgindo assim, em face do desejo de aniquilação disto ou daquilo, surge sempre o medo de ser aniquilado por isto ou aquilo.

Quantas vezes (quer pelo desejo de conquista do poder sobre determinado objecto, quer pelo medo e receio que advêm da ausência dessa conquista e do não controlo sobre o poder o outro), nos vemos confrontados com lutas de poder, e pelo poder, numa dada relação?

Não são mais que, movimentos de procura pela definição, pela atribuição de valor e pela significação, daquilo que sozinhos não podemos definir.
Por outras palavras não é mais do que perguntar, mas afinal quanto e qual é, o meu valor na relação com este ou aquele objecto (que poderá ser uma qualquer coisa ou pessoa)?

Se a estas questões somarmos outras sobre aquilo que esperamos do outro, que produtos queremos obter dessas relações, e em que contextos poderão surgir os conflitos entre outras… chegamos a um tipo de complexidade Humana que só é compreensível, mensurável e susceptível de se trabalhar quando aplicado aos conflitos diários, específicos de cada um, com que vamos sendo confrontados e que vamos mediando duma ou de outra maneira dependendo dos nossos recursos pessoais, fenótipicos (ou superficiais) e genótipicos (ou mais profundos), da nossa história em suma da nossa personalidade.

Outras questões se podem formular sobre a insurgere relacional, nomeadamente;
Quem são as vítimas e os agressores no palco da insurgencia?
As insurgencias internas podem também ser transferidas para o exterior?
De que forma as insurgencias se propagam e se amplificam?
Quais são os seus danos colaterais ou terciários? …

Nas dinâmicas relacionais, a ausência de evidência não é necessariamente evidência de ausência!

Enfim muito fica por dizer, nem se pretende tudo dizer, resta-me apenas afirmar que no que concerne às insurgencias, assim como em outros produtos relacionais “normais” ou “patológicos”, não é a presença ou a ausência desses produtos, a sua qualidade ou mesmo a sua quantidade que permitem prever o equilíbrio mental posterior ou a doença. O que é significativo é apenas a capacidade do Eu em dominar esse(s) produtos relacionais.

2008-03-26

…Deixar de Querer Fumar?

Deixar de Fumar III…




Já que o fumar, o fumo, o tabaco, o fumador e o não fumador já foram alvo de atenção será pertinente por fim dar também atenção, paradoxalmente, aos factores iniciais que nos condicionam para responder à questão do querer ou não querer, do deixar ou não deixar de querer fumar e/ou de ser fumador que antecede todos os passos dos fumadores que o pretendem deixar de ser.

Quer deixar de querer fumar (cigarros...)?
Quer deixar de querer ser fumador (dependente...)?

Como vai deixar de querer?

Antes de mais o querer pode ser objectivamente avaliado apesar da sua subjectividade, basta-nos mensurar para isso a nossa Motivação, já o deixar e/ou o corte ou o finalizar com isto ou aquilo de forma definitiva levanta muitas dúvidas relativas à sua efectiva e objectiva materialização a longo prazo e com sustentabilidade.
Quero com isto dizer que, o deixar algo ou seja, a perda de um objecto significativo (perder/deixar de querer/gostar…) pode ser acompanhado de uma inicial e falsa percepção de auto-controlo, "Eu sou feliz assim, da minha vida sei eu..." "Se eu quiser deixar isto ou aquilo eu deixo." entre outros exemplos, no entanto o controlo do não controlável pode levar a recaídas ou à substituição desse objecto por outro aparentemente diferente e aparentemente controlado. Ou que nos permita voltar de alguma forma a estabelecer a relação ou a dinâmica desejada com o objecto/ a coisa/ a pessoa… Refiro-me nada mais nada menos que ao vazio, que tal mudança provoca sempre e, às suas consequências directas nos individuos que o sofrem. Sendo humanamente compreensivel que algum objecto que se destroi deixe um espaço vazio que não raras vezes é substituido por um outro que tem muitas semelhanças com o anterior repetindo assim (e com uma falsa percepção de segurança, estabilidade, equilibrio...) a dinamica relacional do objecto anterior.

Esta situação tem tudo que ver com o facto de sermos Humanos e termos de gerir a perda de algo/alguém que se deseja(va) tendo com isto que apreender a assumir e/ou a gerir a nossa negada Humana solidão.
Assim como tem tudo que ver, com a(s) experiencias de perda(s) ou mudança(s) individual passadas que implicaram um corte igualmente pessoal e individual com o seu próprio Eu, anterior e conhecido, ou seja, implica (re)formular (re)direccionar o que se esperava, o que se conhecia e o que se idealizava. Para tal será necessário cortar/destruir isto ou aquilo para voltar a unir/construir isto ou aquilo não de forma repetitiva e patológica, mas com crescimento pessoal e através da(s) reparação(es) do vazio, do medo de aniquilação da(s) coisas valorizadas no objecto destruido/perdido (re)construindo e (re)descobrindo a sua autonomia, os seus desejos e os seus medos.
Retomando o querer e o não querer inicial, já diz o ditado popular:

Quem não pode o que quer, deve querer o que pode!...

Pode o que quer?

Talvez deva querer pensar em algumas destas questões:

Porque razão queres deixar de fumar?
(Cansaço, medo, farto(a) da dependência)

Queres deixar de fumar completamente?
(Reduzir, definitivo ou ocasional)

Qual o esforço que queres/vais fazer para deixar de fumar?
(Muito, moderado, pouco ou nenhum)

Acreditas que podes deixar de fumar?
(Seguro(a), esperançado(a), inseguro(a))

Quem quer/deseja que deixes de fumar?
(Próprio, outros ou ambos)

Quando vais querer deixar de fumar?
(Dias, semanas, meses ou mais tarde)

Porque é que tens querido fumar até agora?
(Todos fumam, dificuldade de deixar, desconhecimento de como deixar)

Estas são apenas algumas das questões possíveis de elaborar entre outras tantas que se pretendem que o leitor levante no seu processo de mentalização, análise e discussão sobre as problemáticas.

Entre o querer e o não querer, vamos caminhando por um caminho incerto, certos da mudança a cada passo.

2008-02-04

Deixar de Fumar...

Deixar de Fumar II …





No penúltimo post uma pergunta ficou no ar, tentarei assim dar continuidade à compreensão das dificuldades que os fumadores vivem no seu deixar de fumar. Objectivando que o leitor formule novas questões de particular sentido e/ou significado.
Assim como conhecemos o Tabaco, a sua natureza, história e dinâmica em Deixar de Fumar I, devemos igualmente conhecer e compreender a natureza, história e dinâmicas relacionais do Fumador.

Reforço desde já uma questão que é ao mesmo tempo paradoxal. É ou não verdade que, por um lado, o Homem é um animal racional (como ouvimos muitas vezes na boca de muitos…)?
É mas por outro lado, como justificamos então a tão difícil e penosa tarefa para tantos de “racionalmente” deixarem simplesmente de fumar?
Já diz o velho ditado…
«Perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe!»

Refiro-me especialmente ao facto de todos sabermos hoje, e é “racionalmente” esperado por todos, que todos aceitem a verdade incontestável dos efeitos negativos do Tabaco. Contudo, nem por isso nos comprometemos a cumprir à risca com o que devíamos: reduzir as ameaças à nossa integridade e por em primeiro lugar a segurança, saúde e a sobrevivência acima de tudo.
Em vez disso, deixamos que a força do hábito (do tabaco entre outros…) nos vença.

Porquê?

Talvez porque assim o desejamos e porque nem sempre é a Razão, Racionalidade e/ou a nossa Consciência que determina os nossos comportamentos, principalmente os de risco.
São também culpados, os “esquecidos”, “negados” ou “parentes pobres” dos nossos afectos, sentimentos, emoções, valores culturais que se fazem acompanhar pela “outra face” duma mesma moeda, um inconsciente que teima em dificultar-nos a vida consciente, voluntária e racional mas que nos dota de desejo entre outros.

O Homem como fumador não perde a sua natureza. Por outras palavras não deixa de ser um animal racional e, irracional, consciente e, inconsciente, ser de pensamento e, sentimento, de emoção e, desejo, de cultura e, modas, de acção e, reacção, de fantasia, temporalidade, espaço/s, comportamento/s e personalidade.

Homem fumador ou não, não dissocia os seus comportamentos da sua natureza e personalidade.

E já agora, partindo do princípio que a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro, podemos colocar uma outra questão relevante, é a de que fumar ou não fumar, não é um problema que só diz respeito aos fumadores!

E tal facto é facilmente verificado no que concerne ao fumo passivo, ou fumo do Tabaco existente no ar ambiente, que é inalado ou respirado por todos nós.
Logo os fumadores passivos são hoje uma preocupação de todos e para todos. Isto porque estão sujeitos à imposição de consequências como: irritação em geral, dores de cabeça, tonturas e náuseas, fadiga, entre outros, sem que para tal tenham contribuído (ex:. trabalhadores, crianças, pessoas dependentes…).

Parece-me que tal como as nossas diferenças individuais, nem sempre somos pessoas de deveres e direitos iguais, falo dos danos e das vítimas do Tabaco/Fumo alheio. Vitimas estas que devem ser reparados os seus danos, tal como em outros acidentes do nosso dia-a-dia, contudo seriam danos prevenidos por todos numa sociedade idealizada.

Não nos podemos esquecer do direito que todos temos a respirar ar limpo, contudo devemos ter sempre presente que fumar é uma dependência e que pode ser muito difícil para as pessoas absterem-se de o fazer! Somos Humanos…!

E para que não comece, no caso de ser fumador, a ouvir:

“Perigo fumador à vista!”

Deverá ao pensar nestas questões do tabagismo começar a pensar na hipótese de deixar de fumar.
Para o(a) ajudar existem várias técnicas e métodos de desabituação tabágica que poderão facilitar-lhe a vida na sua conquista de deixar de fumar, basta que para isso se sinta motivado ou o deseje.
Mas não se esqueça que deixar de fumar pode, no início, ser desagradável bem como ser de grande dificuldade prevenir possíveis recaídas.

Exemplo disto são os pensamentos muito frequentes como:

…“Se só for nas festas não há problemas”

“Se for só um consegue-se controlar”…

E outras situações em que fumar teve um papel importante na vida, geralmente verifica-se que o Tabaco está presente em momentos prazerosos (festas), está presente com os amigos ou pessoas significativas ou, fumar como compensação afectiva de perturbações emocionais.

Queres deixar de fumar?

(cont.)

2008-01-24

Nevoeiro da Vida…


...Só por ti

Vida é aprender a lidar com o nevoeiro da vida. Aprender…, talvez aprender que a vida tem que ser vivida, e é quando somos autênticos e responsáveis, quando respeitamos o outro em todas as circunstâncias, quando defendemos aquilo em que acreditamos, quando sentimos como humanos que somos e quando não perdemos a esperança, que ela mais merece ser vivida ou, revivida.

Mas nunca se está verdadeiramente preparado para aprender a valorizar a vida pelo seu nevoeiro que é o seu fim. Ou pela vida depois do adeus da vida.

É curioso como as formas de vida se desenvolvem mesmo quando se está perto do nevoeiro, em que nada se vê mas está lá tudo! Está o que se quer e não se quer, frio e calor… e por mais que se diga que é natural, que se partiu ou partimos numa "boa hora", quando queremos, como queremos e com quem queremos é sempre uma partida e nunca uma chegada, uma chegada faz-se acompanhar de grande alegria na maioria das vezes ou quase sempre, já uma partida de quem tanto se gosta só deixa angustia, tristeza e incerteza.
Há partidas que levam com elas parte de nós, da nossa história de vida, dos nossos mais secretos desejos e deixam como que um vazio de tudo o que suponhamos nunca perder e sempre ter… contudo também podemos reviver a nossa historia e desta forma dar continuidade à vida do que já viveu e ver que além do nevoeiro há um horizonte que espera por nós.

E quando olho para trás só me resta dizer, obrigado por tudo.

O que é a vida para ti?