2007-05-04

Consciência adormecida




Quando a consciência adormece…


A relação entre o sono e o sonho é uma questão já muito estudada quer ao nível do seu desenvolvimento, quer das diferenças entre crianças e adultos, patologias mais frequentes (por ex:. sonambulismo, terror nocturno, insónia…), sua estrutura e dinâmica, nomeadamente os ciclos de sono lento e sono paradoxal (este é também denominado de Sono REM, é onde existe evidência cientifica dos sonhos através dos registos eléctricos), e se dúvidas houvessem relativamente à sua importância e relevância na nossa vida bastaria referir o facto de 1/3 da nossa vida ser dedicado ao sono e consequentemente ao sonho.

Quando falamos em sonhos, dos outros ou dos nossos, estes são muitas vezes motivo de grande divertimento e satisfação, tanto que chegamos a ter dificuldade em recordar e partilha-los, pelo facto de serem recalcados (esquecidos ou não presentes na consciência) tal facto deve-se ao valor ético-moral do conteúdo onírico do sonho, que muitas vezes é duvidoso aos olhos da nossa consciência, e também da consciência dos outros, mas neste caso não poderemos falar de recalcamento mas sim de omissão ou “esquecimento consciente”.
Já não se verifica a mesma satisfação quando os sonhos dão lugar a pesadelos, que sendo igualmente sonhos são recordados com mais facilidade pelo facto de não existir o mesmo nível de censura que existe no caso dos mais prazerosos, o que não significa que estes sejam destituídos de desejos inconscientes, mas revelam as preocupações/conflitos do nosso dia-a-dia, medos e angústias. Também não é um grande divertimento, muito pelo contrário, quando a recordação e a interpretação do sonho está sujeita por ex:. às superstições de mau agoiro, conteúdos oníricos (sonho propriamente dito) que se apresentam como sinais de morte, perda ou acidente em determinados casos, ou como sinais de má sorte ou azar.
Este facto, que pode diferir em função das representações sócio-culturais das pessoas, são comuns ao Homem. Logo é Humano que os seus sonhos “Humanos” sejam vistos com olhos “Humanos” estes terão de ter em consideração a sua racionalidade, irracionalidade, afectividade, cultura, imaginação, desejos e valorização e não podemos esquecer a diferença entre vivência do sonho e relato de um sonho.

Desta forma, é possível fazer muitas interpretações e observações aos nossos sonhos basta questionar o seu porquê e todos arranjamos rapidamente uma justificação, normalmente simples e redutora, que nos parece lógica, racional e consciente. Contudo errar é Humano, e fazer uma análise interpretativa dos sonhos requer cuidado e a devida importância que por vezes não está ao alcance do próprio sem ajuda de um olhar exterior. O que quando bem analisado, apesar do esforço que exige, pode ser um trabalho de enorme prazer e utilidade (é sabido que a frequência, seus conteúdos e interpretações influenciam directamente o nosso estado de saúde mental, personalidade, auto-conhecimento, comportamentos, relacionamentos… e vice-versa).

Desta forma, quando a consciência adormece o inconsciente desperta e os sonhos revelam-se, é curioso como até na bíblia se pode ler: «O Senhor revela-se nos sonhos.»

Na realidade os sonhos oferecem-nos soluções geniais para os nossos problemas que muitas vezes não somos capazes de encontrar no estado consciente. Desta forma quando dizemos que tivemos apenas um sonho é claro que não valorizamos adequadamente a sua importância, nomeadamente o desconhecimento da verdadeira função do sonho: cada um dos nossos sonhos constitui uma reacção do nosso inconsciente a conflitos existentes no nosso dia-a-dia, com a finalidade de sobre eles se debruçar e de os resolver.

Um sonho não compreendido é como um livro que não se leu: de pouco serve. Um sonho devidamente interpretado, pelo contrário, constitui um excelente conselheiro, susceptível de nos dar, todas as noites, indicações extremamente importantes sobre como devemos conduzir a nossa vida.